Se estás farto de Chrome cheio de IA, pop-ups e telemetria por todo o lado, o Helium Browser pode ser exatamente o que procuras. Disponível em Windows, macOS e Linux, é um navegador baseado em Chromium mas sem o peso e sem a espia da Google. Em vez de apostar em “features inteligentes”, aposta em privacidade, velocidade e simplicidade.
Neste artigo vou explicar o que é o Helium, porque está a gerar tanto buzz em 2025 e se faz sentido para ti (e para o teu computador 😉).
O que é o Helium Browser?
O Helium é um fork do Chromium construído em cima do projeto ungoogled-chromium, removendo praticamente todos os serviços e telemetria da Google. O código é aberto e está disponível no GitHub, incluindo os scripts de build para macOS, Linux e Windows, o que permite verificar exatamente como o browser é produzido.
A equipa por trás do Helium pertence à organização imput (os mesmos do Cobalt), e descreve o navegador como:
“Private, fast, and honest web browser — made for people, with love.”
Ou seja, a prioridade não é vender anúncios, criptomoedas ou planos de IA, mas sim dar controlo ao utilizador.
Privacidade em primeiro lugar (a sério) 🔐
Aqui o Helium distingue-se da maior parte dos concorrentes:
Bloqueio de anúncios e trackers por defeito
Vem com uBlock Origin integrado e pré-configurado, usando listas comunitárias para bloquear publicidade, trackers, miners e sites maliciosos logo à partida. Não precisas de instalar nada extra.
Zero pedidos de rede ao arrancar
Na primeira execução, o Helium não faz qualquer pedido à Internet até tu interagires. Nada de “ping” para servidores, nada de telemetria escondida.
Cookies de terceiros bloqueados + anti-fingerprinting
O browser bloqueia cookies de terceiros por defeito e aplica medidas contra fingerprinting. Se quiseres ir ainda mais longe, podes ativar flags de ungoogled-chromium e filtros extra no uBlock.
Sem anúncios, sem tracking, sem “modo IA” embutido
Ao contrário de Chrome e até de alguns concorrentes como o Brave, o Helium não empurra IA, crypto nem páginas patrocinadas. A interface é limpa, sem banners a vender funcionalidades “premium”.
Para quem valoriza RGPD, anonimato e controlo de dados, isto é um argumento fortíssimo.
Desempenho e experiência de utilização ⚡
Apesar do foco na privacidade, o Helium continua a ser um navegador rápido e moderno, porque assenta no mesmo motor do Chrome (Blink + V8).
Alguns pontos que se destacam:
Interface minimalista e compacta
A barra de endereços e as tabs são mais baixas, libertando espaço vertical para o conteúdo — ótimo em portáteis. Vários utilizadores relatam que o browser é “limpo e rápido”, sem animações desnecessárias.
Sem bloat, sem “features” intrusivas
O projeto removeu funções consideradas bloat: nada de crypto integrado, nada de “rewards”, nada de feed de notícias na nova tab. É só tu e a web.
Recursos mais contidos
Em testes práticos e reviews, o Helium tem mostrado consumir menos RAM e manter-se fluido mesmo com várias abas abertas, quando comparado com Chrome e Brave.
Funcionalidades que o tornam diferente 🧰
Para além da base Chromium, o Helium traz algumas ideias interessantes:
Split View nativo
Permite abrir duas páginas lado a lado na mesma janela — excelente para estudar, comparar produtos ou trabalhar com documentação e editor ao mesmo tempo.
Comandos “!bangs” locais
Tal como no DuckDuckGo, podes usar atalhos como !w (Wikipedia), !gh (GitHub) ou !chatgpt para saltar diretamente para sites, mas resolvidos localmente, sem enviar a tua pesquisa para terceiros.
Web apps como apps de desktop
Qualquer site pode ser instalado como aplicação independente, sem duplicar instalações de Chromium.
Suporte a extensões (incluindo Manifest V2)
Consegues usar praticamente todas as extensões do Chrome Web Store, incluindo as que ainda dependem de Manifest V2 — o que é importante para uBlock Origin e outras ferramentas avançadas.
Limitações que convém conhecer ⚠️
Nem tudo é perfeito, e o Helium assume isso desde já — está em BETA.
Alguns pontos menos positivos:
❌ Sem Widevine / DRM
Não vais conseguir ver Netflix, Amazon Prime Video ou outros serviços protegidos por DRM neste browser, porque o Helium não inclui o módulo Widevine (é caro e fechado). Muitos utilizadores mantêm outro browser apenas para streaming.
❌ Sem sincronização na cloud e sem gestor de passwords
O Helium não guarda passwords, métodos de pagamento ou endereços. A filosofia é: usa um gestor dedicado (Bitwarden, 1Password, etc.) e não confies esses dados ao browser.
❌ Sem tradução nativa de páginas
Não há botão de “traduzir esta página” como no Chrome. Se precisas mesmo, terás de instalar uma extensão.
❌ Apenas desktop e ainda com arestas por limar
Por enquanto, não existe versão móvel. No Windows não há atualizações automáticas; tens de atualizar manualmente. E alguns utilizadores reportam crashes ocasionais — normal para software em rápida evolução.
Vale a pena experimentar o Helium Browser? 💭
O Helium faz mais sentido para utilizadores que:
- valorizam privacidade e controlo total sobre o navegador;
- estão cansados de IA empurrada à força, crypto, anúncios internos e telemetria;
- usam sobretudo o computador para trabalhar, estudar, navegar e pouco para streaming protegido;
- preferem combinar browser + gestor de passwords em vez de depender de tudo num só produto.
Para quem vive na europa, onde o RGPD é um tema sério e onde muitos PCs ainda não são topo de gama, a combinação privacidade forte + leveza é especialmente interessante: menos dados expostos, menos recursos consumidos e menos ruído visual enquanto trabalhas.
Se queres um navegador moderno, mas sem o “peso” das grandes empresas, o Helium é uma alternativa muito sólida para testar em 2025. Continua em BETA, por isso não é perfeito, mas já mostra que é possível navegar na web sem ceder a publicidade agressiva nem à recolha massiva de dados.
Se o teu foco é privacidade, simplicidade e performance, o Helium merece, no mínimo, um test-drive ao lado do teu browser principal. Se dependes de Netflix, tradução integrada e sincronização na cloud, talvez o uses como navegador secundário pelo menos por agora.



